Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico

 

Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico

A obrigatoriedade do jejum prolongado deverá ser avaliada pelo médico que acompanha o paciente em casos específicos, como quando este apresentar concentração de triglicérides acima de 440 mg/dL, fora do estado de jejum, sendo considerado como referência o nível desejável até 175 mg/dL. Neste caso, a orientação ao médico é que seja prescrito outra avaliação do TG, com o jejum de 12h, e dessa forma será considerado um novo exame de triglicérides pelo laboratório.

A não obrigatoriedade do jejum na maioria dos casos se dá pela constatação de que, graças ao avanço das metodologias diagnósticas, o consumo de alimentos antes da realização desses exames – desde que habituais e sem sobrecarga de gordura –, causa baixa ou nenhuma interferência na análise do perfil lipídico.

De acordo com a Normatização, a flexibilização evita que o paciente diabético, por exemplo, corra o risco de uma hipoglicemia por causa do jejum prolongado, entre outros transtornos e intercorrências mais comuns em gestantes, crianças e idosos.

Além de mais comodidade para o paciente, outro benefício decorrente da flexibilização, segundo os autores do documento, é a oportunidade que os laboratórios de análises clínicas têm de otimizar seu fluxo de atendimento, com mais horários disponíveis para a coleta, reduzindo assim o congestionamento especialmente no início das manhãs.

Essa prática já é realidade nos EUA, Canadá e em alguns países da Europa, e a intenção é que seja gradualmente aceita pelos laboratórios de análises clínicas do País. Para facilitar essa transição, as Sociedades Médico-Laboratoriais detalharam as recomendações para o atendimento do paciente no estabelecimento e também para um modelo ideal de laudo laboratorial.

  • Quando o médico solicitante indicar o tempo específico de jejum para o exame requerido, é recomendável que o laboratório siga tal orientação.
  • No caso de uma coleta de amostra para o perfil lipídico sem jejum, é recomendado que o laboratório informe no laudo o estado metabólico do paciente no momento da coleta da amostra, isto é, o tempo de jejum.
  • Quando houver, na mesma solicitação de perfil lipídico, outros exames que necessitem de jejum prolongado, o laboratório clínico poderá definir o jejum de 12 horas neste caso, contemplando todos os exames.
  • Para alinhamento entre as instituições e profissionais envolvidos desde o pedido do exame até o diagnóstico, recomenda-se a inserção da seguinte frase no laudo: “A interpretação clínica dos resultados deverá levar em consideração o motivo da indicação do exame, o estado metabólico do paciente e a estratificação do risco para estabelecimento das metas terapêuticas”.

Os novos valores de referência e valores de alvo terapêutico para o perfil lipídico de adultos mostram que, com jejum e sem jejum, os valores são diferentes somente para os triglicérides e idênticos para o CT, HDL-C, LDL-C e não-HDL-C. Para crianças e adolescentes, os valores referenciais desejáveis de triglicérides, com jejum e sem jejum, também são os únicos com valores diferentes (Tabelas I e II).

tabela 1

tabela 2_2

As recomendações do Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico, que dispensa a necessidade de jejum de 12 horas para exames do perfil lipídico já estão disponíveis para os laboratórios. Os exames onde o jejum pode ser dispensado são: Colesterol Total (CT), LDL‐C, HDL‐C, não‐HDL‐ C e Triglicérides (TG). O documento, distribuído aos laboratórios no início de dezembro, foi elaborado em conjunto pelas Sociedades Brasileiras: Cardiologia/Departamento de Aterosclerose (SBC/DA), Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Análises Clínicas (SBAC), Diabetes (SBD) e Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Anemia pede atenção em todas as faixas etárias

Caracterizada pela deficiência de ferro, a anemia acomete cerca de 20% a 30% da população mundial (cerca de 2 bilhões de pessoas). Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, das dez principais causas de agravo à saúde da população geral, a DFe corresponde a 6ª causa nos países em desenvolvimento e a 10ª causa nos países desenvolvidos.

Em revisão recente, que incluiu estudos clínicos das últimas três décadas em crianças, mulheres em idade fértil e gestantes, foi demonstrado elevado índice de deficiência de ferro e anemia em praticamente todas as regiões geopolíticas do Brasil. O que comprova, de maneira inequívoca, que esse continua sendo um grave problema de saúde pública.

A pessoa com deficiência de ferro pode sentir alguns sintomas como cansaço sem motivo aparente, irritabilidade, tontura, dor de cabeça, além de falta de atenção. Adultos podem apresentar falta de ar e desânimo até parecido com depressão, junto a queda de cabelo e unhas fracas. Já as crianças podem ter dificuldade de aprendizagem, algumas infecções mais frequentes e atraso no crescimento. Algumas pessoas com deficiência de ferro podem ter apetite por coisas ou substâncias não alimentares como: terra, gelo, macarrão cru, limão, giz, etc.

Por vezes, o primeiro sinal de um tumor de estômago ou de intestino (colón) é a anemia. Portanto, ao se investigar a pessoa com anemia, é possível fazer o diagnóstico de um tumor numa fase ainda potencialmente curável.

Fonte SBAC

Nutricionista lista 10 benefícios em beber água na quantidade certa

Nutricionista lista 10 benefícios em beber água na quantidade certa

Fonte: Diário Catarinense

Beber dois litros de água por dia faz bem à saúde e à beleza. A água regula as funções do organismo, hidrata pele e cabelos, evita cáculos renais e controla a saciedade, entre outros benefícios.

– Beber diariamente a quantidade ideal é vital para a saúde – afirma o nutricionista Gabriel Cairo Nunes, que listou 10 vantagens em beber água.

Confira:

Poderosa arma contra a celulite
Ajuda o organismo a eliminar as impurezas, além de facilitar a evacuação e melhorar a circulação sanguínea. O resultado disso evita o aparecimento da celulite.

Disfarça as rugas
Quando a pele está hidratada, as rugas se tornam menos perceptíveis e a pele fica mais firme.

Fonte rica de beleza
Controla os níveis nutricionais sanguíneos e favorece a absorção dos nutrientes necessários ao equilíbrio celular.

Unhas e cabelos hidratados
É possível notar se o corpo está hidratado avaliando as características do cabelo e das unhas.

“A pele é a primeira a sofrer, pois a desidratação provoca diminuição do tônus, textura e elasticidade” ressalta o nutricionista.

Livre-se dos inchaços
Quando o corpo está hidratado, o volume de sangue aumenta e melhora a circulação. Beber água ao longo do dia evita que o organismo retenha sódio, responsável pelos inchaços.

Equilíbrio corporal
O consumo adequado contribui para a absorção dos nutrientes necessários ao equilíbrio da pele. Além disso, a água estimula o intestino que elimina toxinas impedindo que o seu acúmulo seja refletido na pele.

Rejuvenesce
É uma forte aliada dos cremes hidratantes, pois ambos trabalham juntos para deixar a pele mais bonita e saudável. Os cremes conseguem atingir a camada superficial da derme, enquanto a água é capaz de hidratar as camadas mais profundas da derme.

Contra o envelhecimento
As fibras de colágeno, responsáveis pela sustentação da pele, dependem da água para a sua renovação e seu bom funcionamento.

Ajuda a emagrecer
Beber água antes e entre as refeições ajuda a aumentar a sensação de saciedade. Além disso, auxilia no processo de digestão e melhora a prisão de ventre.

Essencial para manter a boa aparência
Interfere na manutenção celular e dos órgãos, no bom funcionamento do sistema imunológico e no equilíbrio hormonal.

Para saber se a pele está ou não hidratada, veja a dica de Gabriel Nunes:

– Levante uma das maçãs do rosto com um dedo e observe se na parte superior há algum sinal de estrias. Se perceber estrias na região, com certeza a pele está precisando de cremes hidratantes e você deve elevar o consumo de água – explica.

Para manter a pele hidratada e saudável, o nutricionista recomenda as seguintes medidas:

Beba dois litros de água por dia.
Evite exposição solar prolongada.
Cuide da alimentação, mantendo-a rica em nutrientes.
Use cosméticos específicos para cuidar da pele.

DST – Sífilis e Sífilis Congênita

O que é a Sífilis

É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum. Podem se manifestar em três estágios. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença.

Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer. O teste deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto (independentemente de exames anteriores). O cuidado também deve ser especial durante o parto para evitar sequelas no bebê, como cegueira, surdez e deficiência mental.

Formas de contágio

A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto. O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de prevenir-se contra a sífilis.

Sinais e sintomas

Os primeiros sintomas da doença são pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas (ínguas), que surgem entre a 7 e 20 dias após o sexo desprotegido com alguém infectado. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Mesmo sem tratamento, essas feridas podem desaparecer sem deixar cicatriz. Mas a pessoa continua doente e a doença se desenvolve. Ao alcançar um certo estágio, podem surgir manchas em várias partes do corpo (inclusive mãos e pés) e queda dos cabelos.

Após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manchas também desaparecem, dando a ideia de melhora. A doença pode ficar estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como cegueira, paralisia, doença cerebral e problemas cardíacos, podendo, inclusive, levar à morte.

Diagnóstico

Quando não há evidencia de sinais e ou sintomas, é necessário fazer um teste laboratorial. Mas, como o exame busca por anticorpos contra a bactéria, só pode ser feito trinta dias após o contágio.

Tratamento

Recomenda-se procurar um profissional de saúde, pois só ele pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado, dependendo de cada estágio. É importante seguir as orientações médicas para curar a doença.

Sífilis congênita

É a transmissão da doença de mãe para filho. A infecção é grave e pode causar má-formação do feto, aborto ou morte do bebê, quando este nasce gravemente doente. Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado é positivo, tratar corretamente a mulher e seu parceiro. Só assim se consegue evitar a transmissão da doença.

Sinais e sintomas

A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal.

O diagnóstico se dá por meio do exame de sangue e deve ser pedido no primeiro trimestre da gravidez. O recomendado é refazer o teste no 3º trimestre da gestação e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade. Quem não fez pré-natal, deve realizar o teste antes do parto. O maior problema da sífilis é que, na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada e só vão descobrir a doença após o exame.

Tratamento

Quando a sífilis é detectada, o tratamento deve ser indicado por um profissional da saúde e iniciado o mais rápido possível. Os parceiros também precisam fazer o teste e ser tratados, para evitar uma nova infecção da mulher. No caso das gestantes, é muito importante que o tratamento seja feito com a penicilina, pois é o único medicamento capaz de tratar a mãe e o bebê. Com qualquer outro remédio, o bebê não estará sendo tratado. Se ele tiver sífilis congênita, necessita ficar internado para tratamento por 10 dias. O parceiro também deverá receber tratamento para evitar a reinfecção da gestante e a internação do bebê.

Cuidados com o recém-nascido

Todos os bebês devem realizar exame para sífilis independentemente dos exames da mãe. Os bebês que tiverem suspeita de sífilis congênita precisam fazer uma série de exames antes de receber alta.

 

Fonte: Ministério da Saúde | Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

Resolução proíbe atendimento médico por telefone ou internet

Passam a valer a partir desta quarta-feira (15) novas regras para a publicidade médica. A resolução do Conselho Federal de Medicina foi publicada no Diário Oficial da União em 19 de agosto de 2011 e entra em vigor 180 dias depois, conforme previsto.

Um dos destaques da nova regra é a proibição das consultas por telefone e internet. O objetivo é evitar que médicos ofereçam exclusivamente serviços à distância. Na visão do CFM, a consulta física é insubstituível.

A medida não afeta quem consulta um médico de confiança para tirar dúvidas corriqueiramente. “O médico pode, porém, orientar por telefone pacientes que já conheça, aos quais já prestou atendimento presencial, para esclarecer dúvidas em relação a um medicamento prescrito, por exemplo”, estabelece o documento, sobre a proibição.

O uso das redes sociais, como Twitter e Facebook, por parte dos médicos também terá restrições. Elas não poderão ser usadas com o objetivo de angariar clientela, e fica proibida a divulgação de telefone e endereço de consultórios por esse meio.

Esses contatos também não podem ser passados em entrevistas à imprensa. Quanto às entrevistas, o documento determina também que o médico só pode conceder informações que tenham embasamento científico.

Em anúncios, médicos não podem alegar exclusividade sobre algum tipo de tratamento. Fotografias de pacientes, como em fotos de “antes e depois”, também estão banidas. Elas só poderão ser usadas em congressos médicos, se for imprescindível, e com autorização do paciente.

Aparelhos de que a clínica dispõe podem ser citados, desde que não sejam oferecidos como garantia de sucesso no tratamento. Atores podem participar dos comerciais, mas não podem afirmar nem sugerir que usam os serviços do médico.

O médico poderá anunciar apenas duas especialidades, mesmo se possuir mais que isso. Os títulos de pós-graduação poderão ser mencionados pelo profissional somente se tiverem relação com a área em que ele atua. Para o CFM, o objetivo é evitar que pacientes sejam levados a crer que o médico está habilitado a atuar em outra especialidade.

O CFM será responsável por fiscalizar e punir os médicos que não cumprirem as determinações. As punições serão administrativas, variando desde a advertência confidencial até a cassação, de acordo com o caso.

Teste inédito de câncer de próstata traz resultados mais específicos

3. teste cancerA Beckman Coulter inovou ao lançar um poderoso teste para auxiliar no diagnóstico de câncer de próstata: o p2PSA. A ferramenta é inédita e capaz de reduzir o número de biópsias negativas e proporcionar decisões mais confiáveis, em questão de minutos. A ideia é tornar o processo de diagnóstico mais rápido por meio de um exame de sangue mais simples e, consequentemente, diminuir o número de biópsias desnecessárias e melhorar os índices de diagnóstico na fase inicial da doença.

“O sistema de saúde terá uma economia enorme com o p2PSA, pois com ele um alto número de procedimentos cirúrgicos desnecessários será evitado. O p2PSA diminui bastante as condições de falsa positividade do teste, isto significa maior segurança ao paciente; e uma economia importante para o sistema como um todo”, explica o Dr. Nairo M. Sumita, médico e Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

Com base no documento World Cancer Report 2014 da International Agency for Research on Cancer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), é inquestionável que o câncer é um problema de saúde pública. A estimativa para o Brasil, biênio 2016-2017, aponta a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer, sem desconsiderar o de pele não melanoma, o câncer de próstata aparece em primeiro lugar como mais frequente em homens, representando 28,6% (61.200 casos).

“Existem várias possibilidades para esse aumento. Acredita-se que a mais plausível é a genética, já que essa mutação pode ser transmitida entre a família. Existe também a questão relacionada ao ambiente, isso interfere muito no aparecimento da doença como, por exemplo, o uso do cigarro relacionado ao câncer de pulmão. Não é uma correlação absoluta, mas existem estudos que mostram esse elo entre os hábitos dos seres humanos e a incidência com alguns tipos de câncer, e o de próstata pode ser que esteja nesse contexto de mudanças de hábitos e alimentação”, considera o Dr. Sumita.

Percepção masculina em relação  ao  câncer  de  próstata

A Sociedade Brasileira de Urologia divulgou uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em 2012, sobre a percepção masculina em relação ao câncer de próstata e constatou que apesar de 76% dos entrevistados terem ciência deste tipo de detecção, somente 32% já fizeram o exame. Os números são mais alarmantes no Nordeste, pois apenas 36% dos homens vão ao urologista, e na população de classe D/E, onde 74% nunca fez o exame de toque.

Super gonorreia: resistência a antimicrobianos preocupa autoridades mundiais

Neisseria gonorrhoeae é o agente etiológico da gonorreia, uma infecção sexualmente transmissível. Segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde, a gonorreia é a segunda IST mais frequente no mundo, com cerca de 106 milhões de novos casos anualmente, sendo assim considerado um grande problema de saúde pública.
A única forma de tratar a gonorreia é através da terapia antimicrobiana. N. gonorrhoeae possui uma grande plasticidade genética. Por isso, nos últimos 80 anos, diferentes classes de antimicrobianos têm sido utilizadas no tratamento, e para todas essas classes o microrganismo desenvolveu diferentes mecanismos de resistência.
A fim de retardar o surgimento de novos mecanismos de resistência, passou-se a utilizar como estratégia a terapia combinada. Em diferentes partes do mundo, o tratamento é feito com azitromicina combinada com ceftriaxona ou ciprofloxacina, no caso do Brasil, ou em dose única em caso de alergia a cefalosporinas (grupo de antimicrobianos que é utilizado no tratamento de infecções bacterianas).
O atual desafio para comunidade científica é a alta eficiência do microrganismo em adquirir novos mecanismos de resistência e a ausência de uma nova perspectiva de tratamento, já que esta combinação de antimicrobiano é a ultima disponível para o tratamento da doença. Além disso, no ano de 2016, casos de N. gonorrhoeae resistente a múltiplos antimicrobianos foram detectados e notificados na Inglaterra, segundo a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV. Apenas 34 casos foram oficialmente confirmados por testes laboratoriais, mas isso pode ser somente a ponta do iceberg já que essa é uma infecção que pode acontecer de forma assintomática.
No Brasil há poucos dados disponíveis que demonstram o número de novos casos e a resistência deste microrganismo. Sabe-se, porém, que a terapia combinada de ciprofloxacina e azitromicina não deve ser utilizada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, devido à alta porcentagem de resistência a ciprofloxacina. O que não fica claro é se nos outros estados do país não há cepas circulantes resistentes a ciprofloxacina ou se, simplesmente, não há estudos que demostrem isto.
As autoridades mundiais estão encorajando as pessoas a praticarem sexo seguro, com o uso de preservativos com novos parceiros ou casuais, para minimizar o risco de transmissão. Se a doença não for tratada, pode resultar em diversas complicações e, em casos raros, pode levar a infertilidade ou septicemia. A Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV emitiu um alerta para médicos para que haja acompanhamento dos parceiros sexuais dos casos de alto nível de gonorreia resistente a drogas.
Apesar de toda campanha das agências governamentais de saúde para conscientização da população sobre a importância da prática de sexo seguro, o esperado sucesso não tem sido alcançado e a tendência é, no final das contas, não termos mais nenhuma droga para tratamento da gonorreia.Matéria escrita na disciplina de extensão de integração acadêmica do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia.Referências:
• CDC, 2015
• Ministério da Saúde, 2015
• WHO. Global incidence and prevalence of selected curable sexually transmitted infections – 2008. World Health Organization, 2012.
• GOIRE, N.; LAHRA, M. M.; CHEN, M.; DONAVAM, B.; FOIRLEY, C. K.; GUY, R.; KALDOR, J.; REGAN, D.; WARD, J.; NISSEN, M. D.; SLOOTS, T. P. & WHILEY, D. M. Molecular approaches to enhance surveillance of gonococcal antimicrobial resistance. Nat Rev Microbiol. 12, 223-229, 2014.
https://www.theguardian.com/society/2016/apr/17/gonorrhoea-will-spread-across-uk-doctors-fear
http://www.medicaldaily.com/antibiotic-resistance-superbugs-gonorrhea-treatment-383072
http://www.telegraph.co.uk/news/2016/04/17/super-gonorrhoea-is-spreading-across-britain-and-will-become-unt/
http://www.bbc.com/news/health-36065314

 

Medicamento comum pode ser alternativa para tratar o Alzheimer

alzenhein

Um experimento com um modelo animal do Alzheimer mostrou que um anti-inflamatório de uso comum pode ajudar na luta contra a doença, revertendo por completo a perda de memória a ela associada em camundongos. Os pesquisadores responsáveis, no entanto, destacam que ainda são necessários mais estudos e ensaios clínicos com humanos antes que o fármaco se torne um caminho alternativo para o tratamento do mal neurodegenerativo, que afeta dezenas de milhões de pessoas em todo mundo.
Conhecido como ácido mefenâmico, o composto faz parte do grupo dos anti-inflamatórios não esteroides (Aines) e é muito usado para aliviar dores na menstruação, vendido no Brasil como medicamento genérico ou sob a marca “Ponstan”. Esta, no entanto, é a primeira vez que o medicamento foi testado para combater as inflamações no cérebro ligadas ao Alzheimer, inibindo um processo chamado inflamassoma NLRP3.
No experimento, os cientistas liderados por David Brough, da Universidade de Manchester, Reino Unido, usaram 20 camundongos geneticamente modificados para desenvolverem sintomas como o do Alzheimer em humanos. Depois que os animais começaram a apresentar problemas de memória, metade deles recebeu o ácido mefenâmico, enquanto a outra metade serviu de grupo de controle, recebendo apenas um placebo. Após um mês de tratamento, a memória dos camundongos que receberam o ácido mefenâmico voltou aos níveis observados em animais sem a doença.

— Já temos evidências experimentais que sugerem fortemente que a inflamação do cérebro piora os sintomas do Alzheimer — justifica Brough, também principal autor de artigo que relata a experiência e seus resultados, publicado na edição de ontem do periódico científico “Nature Communications”. — E nossa pesquisa mostra pela primeira vez que o ácido mefenâmico, um anti-inflamatório não esteroide simples, pode atuar numa via inflamatória importante, chamada inflamassoma NLRP3, que danifica as células cerebrais. Até agora, não havia nenhuma droga disponível para atacar esta via.
Tempo de Desenvolvimento
Segundo Brough, como o ácido mefenâmico já está disponível no mercado e sua toxicidade, farmacocinética e efeitos colaterais são bem conhecidos, o tempo para uma terapia com o composto chegar às vítimas de Alzheimer deve ser, em teoria, bem menor do que se fosse se desenvolver uma nova droga. Ele destaca, porém, que isso não quer dizer que já se pode receitá-lo.
— Muito mais trabalho precisa ser feito até que possamos dizer com certeza de que ele (o ácido mefenâmico) vai atacar o mal em humanos, já que modelos com camundongos nem sempre replicam fielmente as doenças humanas — diz. — Mas estamos preparando pedidos de autorização para fazermos ensaios prévios de fase II (uma das muitas etapas no desenvolvimento de novos medicamentos, que já pode envolver um grupo considerável de cobaias humanas) para provar o conceito de que esta molécula tem efeitos sobre a neuroinflamação em humanos.
Alerta semelhante foi dado por Doug Brown, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Sociedade do Alzheimer dos EUA:
— Estes promissores resultados de laboratório identificam drogas já existentes que têm o potencial de tratar o Alzheimer ao atacar uma parte específica da resposta imunológica, mas estas drogas não são desprovidas de efeitos colaterais e não devem ser tomadas para o Alzheimer neste estágio, pois primeiro precisamos de estudos com pessoas.
Com informações de O Globo 

GORDURA NO FÍGADO (ESTEATOSE HEPÁTICA)

Esteatose hepática é um distúrbio que se caracteriza pelo acúmulo de gordura no interior das células do fígado, uma glândula situada do lado direito do abdômen por onde circula grande quantidade de sangue. De coloração marrom-avermelhada, o fígado exerce mais de 500 funções fundamentais para o organismo.

esteatose hepatica

O aumento de gordura dentro dos hepatócitos, constante e por tempo prolongado, pode provocar uma inflamação capaz de evoluir para quadros graves de hepatite gordurosa, cirrose hepática e até câncer. Nesses casos, o fígado não só aumenta de tamanho, como adquire um aspecto amarelado.

Também conhecida por doença hepática gordurosa, gordura no fígado ou fígado gorduroso, a esteatose hepática é uma condição cada dia mais comum, que pode manifestar-se também na infância e atinge mais as mulheres. A estimativa é que 30% da população apresentem o problema e que aproximadamente metade dos portadores possa evoluir para formas mais graves da doença.

Causas

As esteatoses hepáticas podem se classificadas em alcoólicas (provocadas pelo consumo excessivo de álcool) e não alcoólicas.

Sobrepeso, diabetes, má nutrição, perda brusca de peso, gravidez, cirurgias e sedentarismo são fatores de risco para o aparecimento da esteatose hepática gordurosa não alcoólica. Há evidências de que a síndrome metabólica (pressão alta, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e triglicérides) e a obesidade abdominal estão diretamente associadas ao excesso de células gordurosas no fígado.

Num número bem menor de casos, pessoas magras, abstêmias, sem alterações de colesterol e glicemia, podem desenvolver quadros de esteatose hepática gordurosa.

Sintomas

Nos quadros leves de esteatose hepática, a doença é assintomática. Os sintomas aparecem quando surgem as complicações da doença. Num primeiro momento, as queixas são dor, cansaço, fraqueza, perda de apetite e aumento do fígado.

Nos estágios mais avançados de esteato-hepatite, caracterizados por inflamação e fibrose que resultam em insuficiência hepática, os sintomas mais frequentes são ascite (acúmulo anormal de líquido dentro da cavidade abdominal), encefalopatia e confusão mental, hemorragias, queda no número de plaquetas, aranhas vasculares, icterícia.

Diagnóstico

Com frequência, nas fases iniciais, o diagnóstico da esteatose hepática gordurosa não alcoólica é feito por meio de exames de rotina laboratoriais ou de imagem. Uma vez detectada a alteração, é indispensável estabelecer o diagnóstico diferencial com outras hepatites, ou doenças autoimunes e genéticas, ou pelo uso de drogas, uma vez que a enfermidade não apresenta um quadro clínico característico.

Surgindo a suspeita, porém, o importante é levantar a história do paciente que deve passar por minucioso exame físico e submeter-se a exames de sangue para medir os níveis das enzimas hepáticas. Embora a ultrassonografia, a tomografia e a ressonância magnética sejam muito úteis para avaliar possíveis alterações no fígado, há casos em que a confirmação do diagnóstico depende de biopsia. Entre todos, porém, o exame mais importante para diagnóstico da enfermidade é a elastografia transitória, um método não invasivo e indolor que mede a elasticidade do tecido hepático e a quantidade de gordura acumulada no fígado.

Tratamento

Não existe um tratamento específico para o fígado com excesso de gordura. Ele é determinado de acordo com as causas da doença, que tem cura, e baseia-se em três pilares: estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos. São mais raros os casos em que se torna necessário introduzir medicação

Recomendações

Algumas medidas são indispensáveis para prevenir o acúmulo de gordura no fígado ou para reverter o quadro já instalado.

  1. Esteja atento às medidas da circunferência abdominal, que não devem ultrapassar 88 cm nas mulheres e 102 cm nos homens;
  2. Procure manter o peso dentro dos padrões ideais para sua altura e idade, mas cuidado. Dietas restritivas que provocam emagrecimento muito rápido podem piorar o quadro;
  3. Beba com moderação durante a semana e nos fins de semana também;
  4. Restrinja o consumo dos carboidratos refinados e das gorduras saturadas. Substitua esses alimentos pelos integrais e por azeite de oliva, peixes, frutas e verduras.

 

Dr. Drauzio Varella
Publicado em 19/01/2015

O que é Diabetes?

Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes